Não, mil vezes não, é um silêncio que afasta a favela do asfalto, mesmo com o notíciario, as estatísticas da violência só aumentam. A bala é som de música, que tira a vida de inocentes. Jenifer. Kauan. Kauã. Kauê. Ágatha. Ketellen. são as seis crianças mortas a tiro, apenas este ano, no Rio de Janeiro. Foram assassinadas por policiais, marginais e milicianos, no intitulado confronto, na desordem e calamidade de uma cidade que persiste no título de maravilhosa.
A bala é o ingrediente fatal do extermínio do caos urbano. É o descaso, falta de gestão, planejamento, competência, respeito, omissão de autoridades, o crime cada vez mais organizado e a impunidade, ninguém escuta, um silêncio sepulcral e famílias dilaceradas, um dor comunitária, restrita. A favela sangra! O asfalto quando entra mata!
O protesto e a comoção se misturam diante da dor, o medo é parceiro, não há proteção do poder público. Não vai, não entra, não sobe, tudo mundo sabe, mas nada é alterado na desordem. Quem deveria proteger, acusa, espanca, invade a casa, quebra, arrebenta, mata. É covardia! O morador levanta cedo para ganhar o pão de cada dia, mas ao sair de casa, nas vielas da bala, o tiro faz mais um inocente entrar para os exorbitantes recordes da violência.
Abaixo segue como está cada caso das seis crianças mortas no Rio:
- Jenifer Gomes, de 11 anos: 9 meses depois, a polícia afirma que ainda investiga o caso;
- Kauan Peixoto, de 12 anos: passados 8 meses, não há conclusões;
- Kauã Rozário, de 11 anos: 7 meses depois, o estado não tem uma explicação;
- o Kauê dos Santos, de 12 anos: 2 meses depois, o inquérito foi concluído, mas MP e Polícia não informaram o desfecho;
- Ágatha Félix, de 8 anos; 2 meses depois, o caso ainda não tem solução;
- Ketellen Gomes, 5 anos: um suspeito de dar o disparo foi preso e investigações continuam.
Por Guilherme Santos e Paulo Renato Soares, RJ2 - 13/11/2019
As respostas são esparsas, sem pressa, um crime ofusca o outro, o esquecimento do que não é prioridade. A dor do outro, importa!!!!! Inaceitável, mas interromper uma vida, ainda sem saber do seu futuro, com tantos sonhos, apagados. O sangue escorrendo pela cidade da impunidade.
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