Ainda criança guardava o sonho de conhecer o Rio de Janeiro, sempre morei em Vassouras, o quintal de casa foi o meu playground. Na adolescência, ainda levava comigo uma pureza que só tem quem mora no interior.
Assim foram os primeiros anos de vida da Lana, 20 anos, estudante. Sempre morou com os pais em um casa modesta, a simplicidade era a maior riqueza da família, filha única, além de estudar, ajudava a cuidar da horta, a produção era vendida na própria cidade.
As vendas renderam um pedido inesperado, Lana pediu a permissão dos pais para visitar a tia que morava no Rio de Janeiro. Após comprar a passagem, desembarcou na rodoviária toda prosa. No caminho, ela ficou encantada com a beleza da cidade. A tia contou que arrumou um cantinho para ela, o quarto com visão privilegiada, confidenciou que o visual era lindo.
A Rocinha foi desbravada pela beleza e ingenuidade da jovem Recém chegada de Vassouras. Lana conheceu Peu, 25 anos, morador da comunidade e envolvido com o tráfico de drogas. Os dois se apaixonaram. Por ele viver no crime, as "aventuras" foram inúmeras.
Até que em uma das incursões da polícia, Lana foi presa com drogas na mochila. Peu tinha convencido que nada iria acontecer e sumiu logo depois. Nervosa, desesperada ficou na penitenciária feminina alguns meses. Completamente sozinha, amargou a solidão e admira realidade dos presídios brasileiros. A tia, não quis saber, os pais, ficaram arrasados, mas estavam distantes.
O tempo passou, a ingenuidade daquela menina de Vassouras nunca se apagou. Ela foi solta, sem dinheiro nenhum foi deixada na rodoviária Novo Rio, o dia estava amanhecendo e as maldades já estavam prontas, um taxista, que fica aos berros na frente do embarque oferecendo corrida mais barato, se aproximou e disse que a levaria e os pais pagariam quando chegasse em Vassouras.
O segurança da rodoviária estava acompanhado tudo de longe, ele impediu e disse que ajudaria Lana a voltar para sua casa. E ainda chamou o sujeito de aproveitador. E assim foi feito, cada um ajudou com uma quantia em dinheiro, um cliente, um segurança, um tratado de empatia. Uma sexta de volta para o cantinho do apogeu, da família. Um novo dia para recomeçar.
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