Um Rio de abandono

O estado de abandono no Rio de Janeiro é gritante. O clamor da beleza resistente e do cais urbano são o impasse de quem transita inseguro pela cidade. O amanhecer de céu azul convida o cidadão a ocupar os espaços, mas o medo toma conta.

Sair cedinho de casa, só para trabalhar, apreensivo, em seguida, segue a rotina diária de mais um trabalhador brasileiro que precisa conviver com a rotina da falta de segurança. Belina, 50 anos, vendedora, acorda todos os dias, às 03h da manhã e já possui o seu ritual diário, 03h45, sai de casa, moradora de uma das comunidades de Tavares Bastos, vai para o ponto de ônibus.

A cidade ainda dorme, em plena madrugada, sozinha, atenta, aguardando o seu embarque, 15 minutos de espera, o motorista, velho conhecido, um respiro na apreensão para Belina, que já passou alguns perrengues.

A vendedora desabafou, estarrecida e nervosa: "Está completando 3 meses que o ônibus que estava foi assaltado, levaram o meu celular. Hoje, não anda mais, deixo em casa. Perdi o direito, tenho medo de passar tudo novamente".

Belina não foi a única a sofrer com a insegurança da cidade. Jânio, colega de trabalho, também foi assaltado, em outra região, no Caju, situado no Centro. A situação bem parecida, ônibus assaltado. "Estamos rendidos e quando acontece a abordagem tem que entregar, eles apontam a arma e ainda fazem ameaças. É um pesadelo, vira trauma". Conclui o vendedor.

O susto e o medo são os companheiros dos moradores cariocas, que são obrigados a conviver lado a lado com o descaso e a impunidade. A cidade purgatório da beleza e do caos, versos da canção. E após mais um dia de trabalho, é hora de dormir, para o próximo amanhecer e que seja um dia melhor, de paz.

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