O itinerário do horror, da Argentina para o Brasil

A viagem programada nas férias dos filhos transformou-se em um pesadelo. Foi assim, que começou o trajeto da família Soares, da Argentina, de ônibus, para o Brasil. Solange, 49 anos, mãe do Gabriel, 12 anos e Otávio, 08 anos. Os três estavam ansiosos para chegar em solo brasileiro, a família é mineira. Sol, como é conhecida entre os amigos, está distante há mais de três anos. Passagens compradas, tudo certo, mas o que era para ser uma passeio, acabou se transformando em susto.

Na estrada, na altura do Paraná, o ônibus é interceptado, cinco homens entram fortemente armados, o motorista fica com uma arma apontada na cabeça. O indivíduo ordena o trajeto. Era madrugada, todos apavorados, o veículo de dois andares, lotado, o pânico era visível entre os passageiros, ameaças psicológicas davam o tom a covarde ação.

Os bandidos pareciam conhecer bem a estrada, porém, erraram o alvo, segundo, Solange, eles estavam em busca de roubar compras de passageiros que também fazem o mesmo trajeto, só que trazendo muambas para vender no Brasil.  Porém, perder a viagem, nem pensar. Ao chegar próximo de um lugar mais deserto, dentro de um milharal, o ônibus foi parado, os passageiros começaram a ser revistados, nem as crianças escaparam da revista. Para revirar as malas, obrigaram alguns passageiros a descer para abrir o bagageiro. O filho mais velho da Solange ficou assustado, mas obedeceu a ordem e foi ajudar. Ela, muito nervosa, tentou intervir, mas um dos assaltantes, recomendou calma para não piorar a situação.

Após 40 minutos, os bandidos deixaram o local, fugiram sem problemas, todos os passageiros tiveram seus pertences roubados: dinheiro, celulares, relógios.... e o que mais deixou todos atordoados foi o motorista, que ficou sendo ameaçado com a arma apontada na direção da cabeça e ainda assim seguiu viagem, parou com todos na delegacia da região, local em que os depoimentos foram recolhidos.

Todos prestaram depoimento. O motorista anestesiado com o pesadelo que tinha ocorrido, seguiu viagem para o Rio de Janeiro. Os passageiros reclamaram da falta de assistência da companhia com o funcionário e também com os clientes. Ao desembarcar na rodoviária Novo Rio, Solange e os filhos foram buscar auxílio no guichê da empresa, indignada, prometeu processar o dona da empresa. A funcionária do plantão foi atenciosa e tentou ajudar em tudo que foi possível, as crianças estavam brincando como se nada tivesse acontecido. A mãe emocionada, relatou que o filho foi corajoso e que mesmo com medo, fez o que os bandidos pediram, depois sentou ao lado da mãe e ainda acalmou o irmão mais novo. A família viajou para Belo Horizonte para casa dos parentes. 

O trauma fica marcado nos passageiros que estavam nessa viagem e a solução, quem sabe um dia, em um país que cobra tudo dos seus moradores, impostos, taxas e mais taxas, tributos sem fim, e que no final, é encontrado nos cofres da corrupção. As estradas brasileiras seguem o rumo do abandono, do estado falido, do governo que nada representa.

Comentários