A pesquisa da violência e a busca pela paz tão sonhada

Um dia desses tive um sonho que havia começado a grande guerra entre o morro e a cidade. Ao acordar, a certeza da realidade, do lado de casa, a notícia de mais um assalto. O dia a dia do cidadão que vive em uma grande cidade é de total insegurança, em particular, o Rio de Janeiro. 

Os índices da violência são alarmantes. O estado sem dinheiro, uma das áreas que mais pode ser afetada é a segurança pública. O ano de 2016 foi derradeiro no aumento da criminalidade. Em 2017 segue o fluxo crescente. Bairros sem segurança e população vivendo em uma escala de medo, no transporte público, na rua, em qualquer lugar.

A pesquisa realizada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), na reta final de 2016, indicam a sensação de insegurança e incertezas. Os homicídios dolosos ( com intenção) aumentaram, no acumulado de Janeiro a Setembro do ano passado, em 17,8% em relação ao mesmo período de 2015 (3.098 casos, contra 3.649).

O balanço ainda mostra os roubos de rua (a transeunte, celulares, em coletivos) aumentaram 44,1% (63.714 ataques em 2015 e 91.826, em 2016). E também morreram mais policiais civis e militares em serviço: 21 entre Janeiro e Setembro, em 2015, 26 no mesmo período, em 2016. 

Chegando no terceiro mês de 2017, os números seguem preocupantes: Entre Janeiro e Março, foram registrados 70 policiais baleados, sendo que 31 não resistiram. E o sonho da paz entre o morro e a cidade segue no descompasso da falta de segurança pública. Quem deveria proteger, não tem proteção, quem deveria ser protegido, morre sem auxílio. 

A realidade carioca da violência que mata sem exceção e o sonho cada vez mais distante da paz... Um dia desses tive um sonho que havia começado a grande guerra entre o morro e a cidade. E o meu amigo Melodia era o comandante que clamava pela paz na cidade.

O Pantera Negra, FM Rebeldia, Transmitia da Rocinha o primeiro comunicado. O pão e circo e o poder da maioria e o país bem poderia ter seu povo alimentado. Ele falava, eu entendia. E era um sonho ao som de um samba tão bonito que quase não acredito. Eu não queria acordar.

Artigo inspirado na música FM Rebeldia do compositor Alceu Valença, versando com um pedido, um sonho, de paz, da boa convivência para todos. 



Fm Rebeldia
Um dia desses eu tive um sonho
Que havia começado a grande guerra
Entre o morro e a cidade
E meu amigo Melodia
Era o Comandante-em-Chefe
Da primeira bateria
Lá do morro de São Carlos
Ele falava, eu entendia
Você precisa escutar a rebeldia (2X)

Pantera Negra, FM Rebeldia
Transmitindo da Rocinha
Primeiro comunicado
O pão e circo e o poder da maioria
E o país bem poderia
Ter seu povo alimentado
E era um sonho ao som
De um samba tão bonito
Que quase não acredito
Eu não queria acordar

Pantera Negra, FM Rebeldia
Transmitindo da Rocinha
Primeiro comunicado
Um dia desses eu tive um sonho
Que havia começado a grande guerra
Entre o morro e a cidade
E meu amigo Melodia
Era o Comandante-em-Chefe
Da primeira bateria
Lá do morro de São Carlos

Ele falava, eu entendia
Você precisa escutar a rebeldia
Ele falava, eu entendia
Nós precisamos conviver em harmonia

Pantera Negra, FM Rebeldia
Transmitindo da Rocinha
Primeiro comunicado
O pão e circo e o poder da maioria
E o país bem poderia
Ter seu povo alimentado

E era um sonho ao som
De um samba tão aflito
Que quase não acredito
Eu não queria acordar

Pantera Negra, FM Rebeldia
Transmitindo da Rocinha
Primeiro comunicado.

Composição: Alceu Valença · 


Margareth Menezes - FM Rebeldia - CD/DVD Naturalmente


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