Ao chegar na estação de São Cristovão, logo cedo, não fazia ideia da viagem a uma realidade triste e de um descaso sombrio. Toda passagem por um bairro da cidade do Rio de Janeiro, uma história, parecida, real. E que na pressa de chegar no trabalho deixa transparecer como se fosse uma imagem a mais do cotidiano.
O trem que transporta diariamente trabalhadores, também mata sonhos e renova ideais. Naquele apertado vagão, a reclamação da demora, do falta de ar-condicionado e do péssimo serviço prestado. O olhar pelas janelas imundas do vagão me fez enxergar o que tinha debaixo do muro da Supervia (concessionária responsável pelos trens da cidade carioca). Muita sujeira espalhada as margens da estação.
A falta de limpeza apresenta-se também de outra forma. Em Barros Filho interrompi minha viagem, na estação escutei a reclamação dos usuários que chegam a esperar o trem e o seus atrasos contínuos mais de 40 minutos. Um absurdo, afinal, todos pagam pelo serviço. Retornei ao meu trajeto e o que observei na volta foi o descaso.
O descaso com a sujeira que tratam a vida, a banalidade que tratam o ser-humano e o egoísmo particular de cada um, que destrói, que afasta. Jovens, adultos e crianças, vivendo em barracos, sem saneamento, ratos, drogas e crimes, tudo junto e misturado. Combinação que o estado aceita calado.
Enquanto o silêncio for onipotente diante dessa situação, a violência não tem previsão de fim. O problema do outro não incomoda que só se preocupa consigo mesmo. É o que acontece dentro de uma sociedade pobre de educação, de valores que só interessa se for com status. Imaginem... a compaixão esta ficando demodê para hoje em dia. No trem em que cada parada apresenta uma dor, acreditar que ainda há possibilidade de mudança é uma dádiva.
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