Maria Bethânia, Oyá, a beleza

Quando canta ilumina o palco. Sua voz representa na terra o fruto, pela natureza segue cantando o seu caminho. Cada nota musical é cantiga, é feita poesia. Do mar, ela faz morada junto com a sereia, dos ventos abençoados por Oyá. 

A ventania que coordena, que ajeita e que firma o ponto, a firmeza que dá o controle da vida, mas o seu canto ecoa, reflete e ilumina, canta, canta, simplesmente encanta. No palco, a presença da baiana, da cabocla, da filha de fé, espaço todo seu, a plateia fascinada pela flor que cresce, que vira rosa, que perfuma, a gente guarda com emoção a sua apresentação e interpretação.

A atuação de uma mulher de Oyá, da tropicália, que falou e protestou em tempos de ditadura, que mexe, mexe e balança devagar com seu passos miudinhos do Recôncavo. E  toda nobreza e requinte do Theatro Municipal do Rio de Janeiro completamente envaidecido em homenagear a estrela de Santo Amaro da Purificação, todos comungaram do mesmo fascínio, de ver, de escutar a Bethânia cantar, falar seus versos de amor, da sua rica trajetória musical.

A felicidade mútua de uma carreira vitoriosa, que em 2015 está completando 50 anos. É para agradecer e abraçar, título que dá nome a turnê comemorativa. As homenagens a baiana continuam durante todo o ano. E no próximo carnaval, a Marquês de Sapucaí, vai ficar com sotaque, com tempero na base do dendê, do vatapá, Maria Bethânia será o enredo da Estação Primeira de Mangueira: A menina dos olhos de Oyá vai desfilar na avenida todo o seu encanto e beleza.






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