O impacto causado na lar que possui um membro usuário de
drogas é emocionalmente devastador. O indíviduo começa a utilizar sem
compromisso e nãe se dá conta, muitas vezes, um caminho sem volta. Os pais, sem
saber o que fazer, imputam seus filhos. Resultado de um estudo realizado pelo
número de familiares que veem como saída a denúcia. Em 2012, os serviços de
prevenção dos Departamentos de Narcóticos do Rio de Janeiro e de São Paulo
registraram 2.147 queixas de familiares pedindo ajuda para os filhos. Em 2013,
os números aumentaram para 4.099.
E os números não param de subir. Calcula-se que hoje haja
no país cerca de 10 milhões de consumidores de drogas com menos de 21 anos.
Pesquisas de Ministério da Saúde confirmam as estimativas de que cresceu em 32%
em relação ao ano anterior, o número de jovens que experimentaram drogas antes
dos 12 anos. Fato ocorrido na vida da empresária Leoanora Pacheco Silveira, 46
anos, mãe de B. De 17 anos, que começou a usar crack diversas vezes ao dia
cinco anos atrás. Sem saber como agir após o filho roubar utensílios de casa e
vendê-los para comprar drogas e ainda falsificar seu talão de cheques ,
provocando o enceraamento de sua conta bancária, numa atitude extrema, ela
procurou os policiais do bairro e ficou sabendo da existência do Departamento
de Narcóticos da Polícia Civil. “Foi inútil, meu filho me agrediu, agrediu os
policiais e fugiu. Desde então, não sei mais dele”.
O despreparo, o desespero e a falta de orientação para
lidar com a situação, não só as famílias da baixa renda, mas também nas de
classe média, estão levando cada vez mais pais a denunciar seus filhos viciados
à polícia. A história do vendedor Hélcio Cipriano, 39 anos, pai de F., de 18
anos, é um exemplo lamentável. O filho sempre pedia dinheiro para comprar drogas
e, como não conseguia, passou a arrombar casas do bairro onde morava. Foi uma
transformação. Hélcio não reconhecia naquele jovem seu filho, totalmente
inerte, que já não frequentava mais a escola. Na quarta vez em que foi
surpreendido roubando objetos dos vizinhos, os pais de F. Se recusaram a
assinar o termo de responsabilidade que o liberaria da Fundação Casa. “Ele está
lá há um mês. Ficará preso até aprender a dar valor ao que damos a ele aqui
fora. Nossa família é de trabalhadores e esse menino só traz vergonha, dor e
preocupação”.
A falta de conhecimento e de compreensão com o usuário de
drogas sempre deixa um rastro de sofrimento. Na família de Neide Oliveira, 44
anos, doméstica, mãe de Dalmo, de 18 anos, a história se repete. Depois de
constatar o vício do filho aos 15 anos, viu a vida do jovem desmoranar em
poucos dias, ele começou a roubar em casa para trocar por drogas. E quando os
objetos de valor acabaram, passou a assaltar para conseguir dinheiro. Ao
completar 18 anos foi preso. “Eu não inocentei e ainda denunciei outros delitos,
para garantir uma pena maior. Ele cumpre uma pena de 15 anos. E peço que não o
deixem fugir. Quero que fique na cadeia até aprender a lição”.
Um aprendizado que não está na cadeia. Uma pesquisa da
Hazelden Foundation, dos Estados Unidos, atesta que quando o dependente se
trata sozinho, a recuperação é de 10%. Quando a família participa este índice
sobe para 45%. O quadro do paciente passa para 80% quando conta com o auxílio
da reintegração social. “Os parentes somam positivamente na vida do usuário”,
afirma Sandra Costa, do Serviço de Combate às Drogas do Hospital das Clínicas
de São Paulo. “Desde criança, os pais devem manter o diálogo, e estar atentos
com o que acontece na vida dos filhos. Ao notar mudança de atitude, o melhor é
sempre conversar”. Observar e buscar uma conversa franca é considerado
primordial para a percepção nesses casos. A família desestruturada afasta ainda
mais a possibilidade de ajudar o usuário.
A saída encontrada
para resolver a questão é procurar a polícia, na tentativa de salvar os filhos
das drogas. Afirmação de Maria Heloísa Vilela, assistente social do Departamento
de Narcóticos da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que trabalha há oito anos
nesta função e atende a mais de 20 mães e pais por dia. “Eles procuram a
polícia porque sabem que temos a obrigação de fazer alguma coisa”. Outro
auxílio que as famílias buscam é o apoio do governo uma ajuda complicada de
acontecer. O Estado de São Paulo tem vagas limitadas nos centro públicos de atendimento
para viciados e no Rio de Janeiro a situção é a mesma. Nas clínicas
particulares, os tratamentos, não custam menos que R$10 mil reais por mês.
Enquanto nada de eficaz é desenvolvido para combater as
drogas, a Polícia Federal divulga dados estarrecedores. Os números do consumo
de drogas nas grandes capitais aumentaram 40% em 2012. O consumo de cocaína
entre os adolescentes cresceu 50% e o de
Maconha, 40% em 2013. Durante o ano foram apreendidos 400 quilos de cocaína. Só
no primeiro semestre foram cerca de 600 quilos. Anualmente novas pesquisas são
realizadas e o saldo é sempre negativo. A integração por uma política de ajuda
e atenção para esses dependentes precisa ser mais elaborada e mais bem
desenvolvida ou este drama nunca chegará ao fim.


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