Morte e Vida Severina, no sertão tem poesia

Retirante, ruralista, a simplicidade do campo, atrelada com os aprendizados da vida, a dificuldade que impulsiona a vontade de viver, de caminhar, no Brasil que não cuida do seu povo, somos muitos Severinos, que não deixa e não permite abater.

A força que reside no sertão é companheira de quem lá cresce e depois sai para alçar outros voos. Horizonte de um passado que se mistura com o presente, é esse o resgate que o documentário, "Morte e Vida Severina", retrata para o expectador. 

O poema do Severino, João Cabral de Melo Neto, é registrado no olhar atento e singelo do jornalista Gerson Camarotti. O poema é traduzido no documentário memorável que faz a captação da realidade de famílias humildes que não deixam de sonhar e de ter esperanças por dias melhores.

O poeta nunca deixa de existir, um dia sai de cena, mas o seu legado é sempre lembrado, e com excelência está sendo apresentado pelo Camarotti. A história de um Severino, que eu carrego na minha trajetória, que muitos pelo país se identificam e mantém vivos. 




Lendo sobre o poeta encontrei o discurso proferido por Arnaldo Niskier, por ocasião da morte do poeta, em 09/10/99:


"Adeus a João Cabral"


"Severino retirante,

deixe agora que lhe diga:

eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, Severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva."




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